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Gente do Xingu
Um ano de vida nova no Jatobá
Gente do Xingu
Postado em 14.01.2015

Doze meses se passaram desde que a comerciante Suely Moreira da Silva, 37 anos, seu marido, o servente Ednaldo Reis Ferreira, 36 anos, e os quatro filhos – Luiz Carlos, Luiz Fernando, Ronaldo Luiz e Suelen – chegaram no Jatobá. A família foi uma das primeiras a se mudar das áreas historicamente alagadas pelo Xingu para uma das 4.100 casas que a Norte Energia constrói em Altamira.

Totalmente integrados ao novo bairro e rodeados por antigos e novos vizinhos, eles relembram, sem saudade, das dificuldades que deixaram para trás e do medo das chuvas intensas do inverno amazônico. “Eu tinha medo da chuva, do vento e do inverno”, conta Ednaldo.

Hoje o chefe de família não passa mais noites em claro, em vigília, com receio de que as chuvas e a água do rio levem os pertencem e coloquem a família em perigo. Durante sete anos, o casal e os filhos habitaram um casebre de madeira sustentado por palafitas na Rua da Peixeira. “Quando chovia, balançava muito e eu não tinha sossego”, lembra o servente. “Mas esse tempo acabou. A casa aqui no Jatobá fez da gente pessoas mais felizes, mais tranquilas”, conclui.

Dona Suely está ainda mais expansiva e à vontade no novo bairro. A casa já tem sua “marca”, com arrumação personalizada e repleta de plantas. A comerciante faz uma observação que pode ser constatada no rosto de cada um dos filhos: “Hoje a gente tem saúde, as crianças nunca mais ficaram doentes. Aqui a gente tem paz e tranquilidade. Somos muito mais felizes”, afirma. “Vimos um bairro crescer e se formar. E o melhor de tudo, o medo da chuva passou e hoje eu até acho bom quando ela cai, porque alivia o calor”.

A família reunida e feliz na nova casa (foto: Norte Energia)

A família reunida e feliz na nova casa (foto: Norte Energia)

  • A Justiça Federal rejeitou, na sexta-feira (23), ação que pedia a nulidade das licenças prévia e de instalação da Hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo construída pela Norte Energia S.A. (NESA) na região de Altamira (PA). O Ministério Público Federal (MPF) também teve negado o pedido para que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) fosse proibido de emitir novas para licenças, enquanto não fosse atestada a viabilidade do empreendimento com base em novos estudos complementares. Na sentença, o juiz federal Arthur Pinheiro Chaves, da 9ª Vara, especializada no julgamento de ações ambientais, diz não ver motivos para suspender a eficácia da licença de instalação. De acordo com o magistrado, não existem nos autos provas suficientes demonstrando que os estudos complementares elaborados e apresentados pela Norte Energia tenham sido rejeitados pela Fundação Nacional do Índio ou não tenha cumprido as exigências contidas em parecer técnico da própria Funai. Arthur Chaves atribuiu a carência de elementos probatórios suficientes ao que classifica de "inércia" do autor da ação. De acordo com o magistrado, o MPF deixou de produzir "provas adequadas no momento processual, vez que, como sói ocorrer em outras ações desse jaez, se limita a juntada de excessiva e desnecessária prova documental produzida de forma repetitiva e que avolumam de maneira inútil os autos, dificultando de forma despicienda até o seu manuseio e a tramitação processual." Leia a notícia em O Estado do Tapajós Leia no site da Norte Energia: Justiça Federal confirma licenças ambientais da UHE Belo Monte
  • Mito: Belo Monte provocou destruição Verdade: Belo Monte, além de energia limpa e renovável, gera  preservação e conhecimento. As campanhas contra Belo Monte insistem em associar a Usina à destruição do meio ambiente e de modos de vida na região do Xingu. Muito já escrevemos aqui sobre as populações locais, dramas que já eram vividos e ações socioambientais desenvolvidas pela Norte Energia para criar as condições necessárias para um ciclo de desenvolvimento social e econômico sustentável na área do empreendimento. Em relação ao próprio bioma, há muitas facetas de Belo Monte que não são divulgadas para o grande público. Como parte das condicionantes da Usina, a Norte Energia desenvolve 14 planos voltados para conservação do meio ambiente na região do Xingu. O trabalho reúne dados importantes para aprofundar o conhecimento sobre plantas e animais, mitigar impactos da implantação do empreendimento. Na Usina, os recursos hídricos dos dois reservatórios serão margeados por uma Área de Preservação Permanente (APP).  A região de preservação e recuperação ambiental terá cerca de 26 mil hectares contínuos, cinco vezes maior que a área de ambientes florestais fragmentados que serão suprimidos. O trabalho de preservação da fauna e flora do Xingu desenvolvido pela Norte Energia transformou Belo Monte em centro de produção e ampliação do conhecimento sobre a Amazônia. Pesquisadores de diversas áreas, especialmente da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Museu Paraense Emílio Goeldi, trabalham cotidianamente em parceria com a Empresa. Um dos resultados desta parceria é a produção inédita de conhecimento arqueológico da região. No final de 2014, o acervo paleontológico do Museu Emílio Goeldi ganhou um grande reforço com a entrega de aproximadamente 2.800 amostras coletadas nas áreas dos reservatórios da Usina. O trabalho desenvolvido nos últimos três anos pela Norte Energia inclui fósseis raros e alguns ainda não identificados pela Ciência. Nunca antes no Pará foi realizado um trabalho de tamanha abrangência, numa área de 296 quilômetros quadrados.  Dentre as peças mais importantes estão a impressão de peles de peixes marinhos do limite do período Siluriano/Devoniano e conchas muito bem preservadas de braquiópodes do gênero Língula. Blocos de rocha recolhidos contêm mais de 70 fósseis agregados. O material indica que há cerca de 419 milhões de anos a região do Xingu estava submersa sob um mar gelado habitado por seres invertebrados e peixes. Belo Monte, além de energia limpa e renovável para o desenvolvimento brasileiro, gera também preservação e conhecimento.  
  •  Sentado à porta da casa de número 20 da Rua A, no Água Azul, o aposentado Cícero Sotero da Rocha, 75 anos, oferece um sorriso de satisfação a quem chega. Enquanto a esposa, a aposentada Maria Teixeira, 70 anos, assiste a novela, ele observa as casas vizinhas, o pavimento asfaltado e o movimentado vizinho bairro Jatobá, mais abaixo. Sem saudade, ele recorda detalhes de 26 anos na sua antiga moradia, na Rua da Harmonia, no bairro Boa Esperança, na região do Igarapé Ambé, em Altamira. “A gente morou naquela casa porque não tinha realmente pra onde ir, ou como sair de lá. Mas eu não gostava. Gastava mais de 15 latas de inseticida por mês por causa de tanto inseto e mosquito que tinha por lá”, afirma Cícero. Bem humorado, ele recorda de quando soube da mudança: Quando ligaram dizendo que a gente já ia mudar no outro dia, eu fiquei tão feliz que achei que ia morrer. Mas pensei que não era o momento: eu precisava primeiro chegar na casa nova”. E emenda: “Não achei que fosse viver pra ter um teto seguro e confortável”. Maria, na sala de casa, ri do marido, e reitera os anos difíceis e a grande novidade que abriu o ano de 2015 para o casal. “A gente sempre sonhou em sair dali. No dia em que ligaram informando a mudança, fiquei tão feliz que nem tive reação de falar. Fiquei muda no telefone. Essa casa foi nosso sonho por anos.” O Água Azul é um dos novos bairros que estão sendo construídos pela Norte Energia em Altamira como parte das condicionantes da implantação da Usina Hidrelétrica Belo Monte. Desde o dia 8 de janeiro, o bairro já recebeu mais de 130 famílias que viviam em áreas historicamente alagadas pelo rio Xingu.
  • A geografia urbana altamirense em um ano mudou com os bairros construídos pela Norte Energia. Primeiro o Jatobá, depois São Joaquim e Casa Nova e, agora, recentemente, o Água Azul redefinem a paisagem da cidade e a vida de quem antes morava nas áreas sujeitas às cheias do Xingu a cada inverno amazônico. Quem vive esta mudança completa é a faxineira Elisângela Sousa da Silva, de 30 anos. Faz pouco tempo que chegou ao quarto bairro que já está recebendo novas famílias. “Meus filhos estão muito felizes com a mudança para a casa nova, eu nunca imaginei ter uma casa tão bonita, só pra gente”, conta.O clima no Água Azul é de quietude, quebrado apenas pelos caminhões chegando com novos moradores, como Elisângela, que está visivelmente emocionada observando seus móveis e demais pertences sendo colocados dentro da casa nova. “É um momento muito especial, esse dia vai ficar na minha memória para sempre”, diz. Até agora 97 famílias já estão no bairro, que terá 805 unidades habitacionais. Elisângela morou por três anos na Rua dos Seis Metros, na área do Igarapé Ambé. A antiga casa, de início, representou a conquista da moradia própria, mas ela viu o sonho se tornar pesadelo a cada enchente, seguidas vezes. Já no primeiro inverno, ela teve que sair às pressas para um dos abrigos improvisados oferecido às vítimas das cheias do Xingu. “Quando enchia muito, tinha que passar por dentro d’água para chegar em casa. Não gosto nem de lembrar”, afirma. “Sair de uma casa de madeira, com bichos e insetos invadindo por todo lado, um lugar perigoso de verdade, para morar em uma casa segura. Não tem preço que pague minha felicidade”. Elisângela mudou-se no dia 14 de janeiro junto com os filhoa para uma casa de 63 metros quadrados com três quartos, sendo uma suíte, sala e cozinha conjugada, banheiro social, em propriedade de 300 metros quadrados. “É importante sonhar, porque quando acontece a gente fica muito feliz”, ensina a faxineira, sorrindo com o menino em seu novo lugar.
  • A montagem eletromecânica da Usina Hidrelétrica Belo Monte receberá em breve a segunda grande peça da unidade geradora nº 2. O rotor da turbina, de 320 toneladas, partiu nesta quarta-feira (14/01) do Porto Carinho, em Manaus (AM), rumo à Casa de Força Principal, em Vitória do Xingu (PA), onde será instalada. O percurso é longo: da fábrica até o porto são 17 quilômetros em caminhão especial de 12 eixos; nos rios Amazonas e Xingu, mais 890,4 quilômetros em balsa reforçada; e na rota entre a Estação de Transbordo de Cargas e a área de montagem no Sítio Belo Monte, mais 6 quilômetros em cima de um caminhão especial de 16 eixos.












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