Em editorial publicado nesta quarta-feira, o Jornal O Liberal comenta a invasão de ativistas ambientais no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte. O texto aborda, com o título “Imagens e mentiras”, a gravação em vídeo que revela a ação e seus autores. E ainda ressalta que toda ação criminosa deve ser investigada e punida.
Jornal O Liberal – Editorial
Imagens e mentiras
É muito mais fácil pegar um ativista na mentira do que propriamente pegar um mentiroso. No dia seguinte aos atos de vandalismo ocorridos no último sábado, num dos escritórios do Consórcio que constrói a hidrelétrica de Belo Monte, na região do Xingu, ativistas ambientais atribuíram o quebra-quebra a indígenas tomados de irresignação incontida, porque teriam constatado supostas violações dos direitos humanos em decorrência das obras.
No máximo, ativistas ambientais admitiram adesões individuais às depredações, que resultaram na queima de documentos e na destruição de mesas, cadeiras, computadores e outros bens.
Mas algumas imagens, que não mentem e não deixam mentir, mostram que ativistas ambientais são bons em ativismo, mas não são muito bons na mentira. E felizmente que não o são, porque facilmente descobre-seque a verdade, também ela, foi depredada.
A TV Liberal, em imagens mostradas na última segunda-feira, no “Jornal Liberal 2º Edição”, exibiu cenas indesmentíveis deque os índios que depredaram parcialmente as instalações do Consórcio Construtor de Belo Monte tiveram uma preciosa colaboração de companheiros do ativismo ambiental.
Imagens revelaram não apenas os autores do vandalismo em pleno ato de depredação como exibiram até um veículo usado como suporte na operação, se é que assim pode ser chamada aquela arruaça que teve contornos claros e configurados de um crime.
As notas de esclarecimento, divulgadas por movimentos que apoiaram os atos de vandalismo, imprimiram aquele velho e conhecido tom de que tudo não passou de artes e engenhos de indígenas inocentes, mas ao mesmo tempo revoltados com a destruição de sítios onde habitam há séculos.
O conteúdo das notas, que mistificam conceitos e depredam a verdade, deixa transparecer a intenção de que a decisão dos índios,de depredarem instalações privadas, surgiu assim do nada, espontaneamente, num momento de inconformismo incontrolável, de “fundo espiritual e pedagógico”,conforme menciona de foram ridícula a nota de um desses movimentos.
Conversa fiada. Absolutamente fiada.
Os manifestantes, entregues à missão de depredar tudo o que encontrassem pela frente, cobriram o rosto para dificultar a identificação. E usaram até um veículo para ajudar nos protestos violentos.
Por que alguém, que eventualmente se julga no exercício legítimo de um direito, cobre o rosto?
Indígenas, alguns deles, mantiveram a cara limpa, o rosto descoberto, quando passaram a mão em bordunas para promover o quebra-quebra. Talvez tenham abdicado do capuz improvisado porque se escoram na inimputabilidade, resultado da alegada falta de discernimento que possuem,reduzindo-lhes assim a integral responsabilidade pelos próprios atos.
Mas o fato de ativistas ambientais terem escondidoa cara para participar do quebra-quebra representa a demonstração inequívoca de que tinham plena consciência de que estavam cometendo crimes.
De espontâneo, portanto, esses protestos nada tiveram. E ainda que fossem espontâneos, resultaram em crimes reprimíveis, inclusive porque cometidos contra instalações privadas, traduzindo exacerbação inominável de um direito que todos têm, de externar sua oposição a qualquer coisa, inclusive a empreendimentos de grande porte como uma hidrelétrica.
A polícia precisa, sem demora, identificar índios e não índios que participaram desses atos de vandalismo.
Se o quebra-quebra ficar sem punições, estará lançada a senha para novas depredações, que podem ser ainda mais graves do que as ocorridas no último sábado.
Se os ativistas ambientais queriam aparecer, se pretendiam ganhar notoriedade, alcançaram plenamente o intento. Mas devem sofre os ônus de suas condutas.
Principalmente quando as condutas configuram crimes que a lei manda reprimir.
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