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Gente do Xingu
Vinícius bom de bola
Gente do Xingu
Postado em 27.05.2015
Vinicius agora tem a quadra perto de casa para fazer o que mais gosta: jogar futebol. (Foto: Betto Silva)

Vinicius agora tem a quadra perto de casa para fazer o que mais gosta: jogar futebol. (Foto: Betto Silva)

A paix√£o por futebol do pequeno Vinicius Galv√£o, de 13 anos, vem de antes de ele nascer. ‚ÄúAinda nem tinha vindo ao mundo, mas j√° gostava de chutar minha barriga. Fazia isso com tanta frequ√™ncia, que eu dizia pra todo mundo que o meu filho seria um jogador de futebol‚ÄĚ, conta a m√£e dele, a dona de casa Francisca Galv√£o.

A previs√£o foi certeira. Vinicius nasceu em 2002, o ano do pentacampeonato mundial de futebol da Sele√ß√£o Brasileira, e j√° acumula diversos t√≠tulos com o esporte. De torneio do bairro √†s disputas na escola, ele diz que perdeu as contas de quantas vezes levantou trof√©us. ‚ÄúS√≥ na minha escola, eu j√° ganhei uns cinco torneios. Na copa dos bairros, foram tr√™s ou quatro vezes‚ÄĚ, lembra.

Transferido com a fam√≠lia h√° pouco mais de cinco meses para o bairro Casa Nova, um dos cinco constru√≠dos pela Norte Energia em Altamira, Vinicius comemora a instala√ß√£o de uma quadra poliesportiva a poucos metros de casa. ‚ÄúAgora eu posso jogar bola todo dia. Mesmo eu gostando muito de futebol, antes era dif√≠cil eu jogar todo dia. O campo ficava muito longe de casa‚ÄĚ.

Livre das enchentes de onde morava, pr√≥ximo ao Igarap√© Altamira, o garoto aproveita as horas vagas para ocupar a quadra e colocar em dia a habilidade com a bola. Do lado de fora do alambrado, Francisca torce e exibe com orgulho as vit√≥rias do filho e almeja que a previs√£o dela se complete: ‚ÄúPor isso, tenho f√© em Deus que um dia ele ainda ser√° um jogador profissional, desses que aparecem na televis√£o‚ÄĚ.

  • Edvanda Sousa, 36 anos, para um minuto para pensar sobre seu trabalho atual e inevitavelmente acaba relembrando um outro momento de sua vida, bem diferente, quando a capacita√ß√£o profissional era apenas um sonho. ‚ÄúEu sempre quis ter uma profiss√£o, que eu pudesse dizer que sabia fazer de verdade, com um certificado para comprovar‚ÄĚ, conta. H√° quase quatro anos, o que era apenas uma aspira√ß√£o come√ßou a se realizar. A hist√≥ria de Edvanda sintetiza a de muitas mulheres que reescrevem diariamente sua hist√≥ria pessoal nos canteiros da Usina Hidrel√©trica Belo Monte. Antes de ser recrutada para o desafio da obra ‚Äď uma das maiores do mundo -, ela trabalhava no com√©rcio em Altamira. O trabalho como atendente em uma loja de m√≥veis ficou para tr√°s quando Edvanda foi chamada para trabalhar como telefonista nos canteiros. Com a melhoria salarial proporcionada pela mudan√ßa, ela decidiu que se profissionalizaria e iniciou o curso de t√©cnica em seguran√ßa do trabalho, em 2012. ‚Äú√Č preciso correr atr√°s do sonho, melhorar, ter novas perspectivas‚ÄĚ, comenta. No meio do caminho da qualifica√ß√£o, veio uma nova promo√ß√£o para Edvanda: ela foi al√ßada √† fun√ß√£o de auxiliar de custo para acompanhar as atividades de produ√ß√£o no canteiro de Canais e Diques. A conquista trouxe tamb√©m certa dificuldade para seu objetivo principal: ‚ÄúEra dif√≠cil conciliar o estudo e o trabalho. Eu chegava em casa √†s 19h e seguia para o curso‚ÄĚ. Nas vezes em que Edvanda pensou em largar os estudos, contou com o apoio dos colegas de trabalho e da filha Larissa Sousa, hoje com 16 anos. Todo o esfor√ßo n√£o foi em v√£o: ela conquistou a sonhada certifica√ß√£o e h√° um ano trabalha como t√©cnica de seguran√ßa no canteiro de Belo Monte. Hoje, Edvanda √© umas das profissionais que orientam e¬† inspecionam os equipamentos e as condi√ß√Ķes de trabalho dos funcion√°rios nas obras da maior usina brasileira 100% nacional, o empreendimento hidrel√©trico que emprega¬†cinco vezes mais mulheres do que a m√©dia registrada no setor da constru√ß√£o civil no Brasil. Sobre os mais recentes anos de sua vida, a t√©cnica avalia sem pestanejar: ‚ÄúEstou realizada. Consegui realizar um sonho. N√£o tenho pretens√£o de ser um exemplo, mas, se eu pude, muita gente tamb√©m pode voltar a estudar e alcan√ßar o que deseja.‚ÄĚ
  • As fam√≠lias dos novos bairros constru√≠dos pela Norte Energia, em Altamira, ter√£o cortejo de blocos carnavalesco para lembrar que a √©poca √© n√£o apenas de folia, mas tamb√©m de preserva√ß√£o do meio ambiente e boas pr√°ticas de conviv√™ncia. Os participantes de oficinas de produ√ß√£o de fantasias e instrumentos com material reciclados organizaram o "Jotobloco",no Jatob√°, e o "Jocabloco", no S√£o Joaquim para brincar o carnaval de formal sustent√°vel. A brincadeira √© resultado de oficinas dos N√ļcleos de Educa√ß√£o Ambiental do Xingu (Nucleax), unidades inseridas em cada um dos novos bairros da cidade para efetivar as a√ß√Ķes do Programa de Educa√ß√£o Ambiental previsto no Projeto B√°sico Ambiental da Usina Hidrel√©trica Belo Monte. Nas oficinas, principalmente, crian√ßas e adolescentes passaram o m√™s de janeiro se entrosando e aprendendo a construir fantasias, adere√ßos e instrumentos de percuss√£o com latas, garrafas, sementes, jornais, revistas e outros materiais reaproveit√°veis. Com tudo pronto para a folia, as festas j√° est√£o marcadas: no bairro Jatob√° ocorre no s√°bado (14/02), a partir das 9h, com a apresenta√ß√£o do Jotobloco, e, na segunda-feira (16/02), tamb√©m pela manh√£, no S√£o Joaquim com a apresenta√ß√£o do Jocabloco.  
  •  Conhecida como costureira de m√£o cheia na √°rea da invas√£o S√£o Raimundo, na regi√£o do Igarap√© Amb√©, Maria Alice dos Santos Silva, 53 anos, agora vive em uma casa segura e confort√°vel no √Āgua Azul, um dos seis novos bairros que est√£o sendo constru√≠dos pela Norte Energia em Altamira. ‚Äú√Č vida nova‚ÄĚ, resumiu a costureira, que dividia uma casa com a filha Valdicl√©ia Santos da Silva, 22 anos, na rua A√ßail√Ęndia. Dona Maria √© a chefe da fam√≠lia 2.500 transferida pela Norte Energia para os novos bairros da cidade. Em comum, estas fam√≠lias tem uma hist√≥ria de transtornos motivados pelas cheias hist√≥ricas do rio Xingu. Antes de erguer sua casa de madeira na invas√£o S√£o Domingos, em 2005, ela morou por cinco anos na Rua das Olarias, onde a fam√≠lia enfrentou as dificuldades t√≠picas dos ‚Äúbaix√Ķes‚ÄĚ de Altamira: enchentes, perda de m√≥veis, doen√ßas... ‚ÄúSofri muito com o inverno‚ÄĚ, recorda dona Maria. Ela deixou o lugar ap√≥s a morte do marido em busca de um lugar seco onde pudesse criar os filhos.¬† ‚ÄúPedi ao meu irm√£o para trazer toda a madeira da casa e remontar no novo lugar.‚ÄĚ Desde quinta-feira (05/2), dona Maria vive no √Āgua Azul. O bairro tem infraestrutura completa, com ruas asfaltadas, cal√ßadas, ilumina√ß√£o p√ļblica e redes de √°gua pot√°vel e esgoto sanit√°rio. A casa que vai dividir com dois filhos est√° em um terreno de 300 metros quadrados, tem 63 metros quadrados de √°rea constru√≠da, sala e cozinha conjugadas, tr√™s quartos (uma su√≠te) e dois banheiros. A filha Valdicl√©ia e dois netos, agora, moram numa casa vizinha, com a mesma comodidade e seguran√ßa. ‚ÄúEstou muito feliz. N√£o tem compara√ß√£o‚ÄĚ, resume dona Maria.
  • S√£o 4.749 novas oportunidades de emprego. Este foi o segundo ano consecutivo em que Altamira registra o melhor desempenho do Estado no indicador que mede a empregabilidade dos munic√≠pios paraenses. A not√≠cia √© da vers√£o impressa do jornal O Liberal.  
  • O acesso √© dif√≠cil no terreno com mato e alagado pelo igarap√© Amb√©, cheio com as chuvas de janeiro. Aos fundos de uma ru√≠na est√° a casa de B√°rbara Joana da Concei√ß√£o, de 64 anos. A casa da idosa √© de tijolos ao lado da casa do filho Ricardo Henrique da Concei√ß√£o G√≥es, de 31 anos. Ele abandonou o casebre de madeira para se abrigar ¬†com a m√£e por medo das tempestades que castigam a cidade nessa √©poca. ‚ÄúPor ele, fa√ßo tudo‚ÄĚ, ela diz, generosa. Os dias de temor e insalubridade est√£o contados: B√°rbara √© a moradora n√ļmero 2.000 dos novos bairros que est√£o sendo constru√≠dos pela Norte Energia em Altamira. B√°rbara e Ricardo agora s√£o moradores do bairro √Āgua Azul. Ela n√£o esconde o contentamento: continuar√£o sendo vizinhos, lado a lado, por√©m em duas casas novas, seguras e confort√°veis. Antes de deixar a antiga moradia, ela fala com certa tristeza sobre a realidade enfrentada diariamente por nove anos no bairro S√£o Domingos: ‚Äúa gente vive aqui porque √© o jeito. Tudo foi constru√≠do com esfor√ßo. N√£o dava pra largar assim e sair simplesmente‚ÄĚ. Ela chegou ao local junto com a ‚Äúinvas√£o‚ÄĚ do terreno, viu as palafitas serem erguidas uma a uma √†s margens do igarap√©. Ricardo est√° esperan√ßoso e a conversa da m√£e o faz recordar quando chegou ao S√£o Domingos: ‚Äúeu morava de aluguel, sou aut√īnomo e tudo √© mais complicado. Minha m√£e veio para c√° e era muito perigoso. Decidi fazer companhia pra ela e aproveitei para construir uma casinha para minha fam√≠lia. Estou aqui faz quase oito anos‚ÄĚ. ‚ÄúSofremos muito no inverno. Meu esposo j√° teve que carregar nossos filhos nos ombros pra irem pra escola. Imagina a √°gua nos joelhos e o tanto de cobras e insetos para enfrentar‚ÄĚ, acrescenta J√°dna Estevam, mulher de Ricardo. ‚ÄúSei que tudo vai ser melhor, meus filhos v√£o crescer em um lugar seguro‚ÄĚ, prev√™ ela. B√°rbara, Ricardo e J√°dna sentiram um grande al√≠vio com o aviso de que mudariam para o √Āgua Azul. J√°dna est√° contava os dias para sair: ‚Äúa gente se acostuma com tudo, mesmo quando a vida n√£o √© boa, mas agora na casa nova eu vou ficar muito mais feliz‚ÄĚ. As duas casas de n√ļmero 88 e 89 no novo bairro t√™m 63 metros quadrados, em √°rea de 300 metros quadrados, com sala e cozinha conjugada, tr√™s quartos, sendo uma su√≠te, e banheiro social.¬†O novo bairro conta com infraestrutura urbana completa, como energia el√©trica, ilumina√ß√£o p√ļblica, rede de abastecimento de √°gua e esgoto, pavimenta√ß√£o asf√°ltica e cal√ßamento e √°reas de lazer.











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