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Gente do Xingu
Hortas nos quintais do Jatob√°
Gente do Xingu
Postado em 20.05.2015
Madalena: orgulho da plantação no fundo de casa. (Foto: Betto Silva)

Madalena: orgulho da plantação no fundo de casa. (Foto: Betto Silva)

Feij√£o, couve, piment√£o, milho, tomate, lim√£o, salsinha, alface. A lista √© longa. ‚ÄúO que antes eu comprava na feira, agora eu cultivo aqui mesmo no quintal de casa. E isso √© maravilhoso. N√£o tem nada melhor que acordar todos os dias e ver um terreno aben√ßoado com tanta planta√ß√£o‚ÄĚ, afirma a dona de casa Madalena Calado, 52, moradora do bairro Jatob√°, um dos cinco novos bairros constru√≠dos em Altamira, como parte do Projeto B√°sico Ambiental (PBA) da Usina Hidrel√©trica Belo Monte.

Dona Madalena foi transferida de uma √°rea alagada conhecida como Ferro Velho, na periferia do munic√≠pio. Ela conta que sempre teve vontade de cultivar planta√ß√£o, mas as condi√ß√Ķes do local onde morava n√£o permitiam que o desejo se tornasse real. ‚ÄúVontade de plantar nunca me faltou. Mas devido √†s precariedades da minha antiga moradia, esse sonho sempre ficava no campo dos pensamentos. Primeiro por falta de espa√ßo, eu n√£o tinha um quintal decente. Segundo pelas condi√ß√Ķes de alagamento. A cada nova cheia do rio Xingu, minha casa toda ficava debaixo d‚Äô√°gua‚ÄĚ, ressalta.

Filha e neta de agricultores, dona Madalena ainda se emociona ao lembrar do tempo em que viveu longe das planta√ß√Ķes. ‚ÄúN√£o foi f√°cil viver quase 40 anos longe da agricultura. Chegou a hora de correr atr√°s do preju√≠zo e fazer valer esse sangue de roceira que corre na minha veia. Al√©m da economia que eu fa√ßo, esse h√°bito traz mais sa√ļde e qualidade de vida para mim e toda a minha fam√≠lia‚ÄĚ.

Vizinho também tem plantação

Cultivar horta no pr√≥prio quintal foi sempre um sonho antigo tamb√©m do vigilante Ant√īnio Barros, 57. V√≠tima das enchentes hist√≥ricas dos igarap√©s de Altamira, Ant√īnio aproveitou a mudan√ßa para colocar em pr√°tica o que tanto pensou. ‚ÄúA vinda para um bairro em terra firme era a oportunidade que eu precisava. Agora n√£o tem mais obst√°culos para eu cultivar minha horta‚ÄĚ, explica um dos mais novos moradores do bairro Jatob√°.

H√° quatro meses na nova casa, ele diz que j√° perdeu a conta de quantos parentes e vizinhos j√° ajudou com doa√ß√Ķes de hortali√ßas. ‚ÄúComo eu n√£o cultivo para vender, e sim para consumo pr√≥prio, a minha casa j√° se tornou uma refer√™ncia no bairro. Vira e mexe aparece vizinhos e parentes pedindo um piment√£o, macaxeira, uma cebolinha colhida na hora. O que demostra que a minha planta√ß√£o deu muito certo‚ÄĚ, comemora o vigilante, que faz planos para ampliar a lista da lavoura.

A produ√ß√£o de hortali√ßas e tub√©rculos de Ant√īnio alimenta sua fam√≠lia e √© distribu√≠da at√© para os vizinhos. (Foto: Betto Silva)

A produ√ß√£o de hortali√ßas e tub√©rculos de Ant√īnio alimenta sua fam√≠lia e √© distribu√≠da at√© para os vizinhos. (Foto: Betto Silva)

  • O feriado do Dia do Trabalhador contou com uma extensa programa√ß√£o para os mais de 20 mil trabalhadores da Usina Hidrel√©trica Belo Monte. Para festejar a data, cerca de 400 oper√°rios participaram da ‚ÄúMini Maratona do 1¬į de maio‚ÄĚ. Para homens e mulheres que trabalham nos tr√™s canteiros de obras do empreendimento tamb√©m foram oferecidos servi√ßos de sa√ļde, corte de cabelo, show de humor e palestras gratuitas durante o dia todo. O dia iniciou com o clima competitivo e festivo da Mini Maratona, que em seu segundo ano, entrou definitivamente programa√ß√£o alusiva ao 1¬į de maio. A corrida teve fun√ß√£o solid√°ria ao arrecadar um quilo de alimento n√£o perec√≠vel de cada inscrito e doar aos desabrigados pelas enchentes do munic√≠pio de Altamira. ‚ÄúHoje pudemos entreter e estimular o esporte entre os trabalhadores e ajudar quem precisa‚ÄĚ, diz o professor de Educa√ß√£o F√≠sica, Felipe Nunes, organizador da competi√ß√£o. O vencedor da categoria principal, o pernambucano H√©lio Pereira dos Santos, foi aplaudido pelo p√ļblico e expressou contentamento com o resultado. ‚Äú√Č muito bom para a gente ter esses momentos de lazer. Eu me inscrevi pensando em ganhar o 2¬ļ lugar, sabia que era meu, mas foi uma surpresa muito boa ser o mais r√°pido entre os colegas. Todos est√£o de parab√©ns por essa festa t√£o bonita‚ÄĚ. Separados por categorias a corrida teve a participa√ß√£o de trabalhadores dos tr√™s s√≠tios, e contou com a participa√ß√£o dos militares da For√ßa Nacional e do Ex√©rcito Brasileiro. Os vencedores ganharam computadores port√°teis, tablets e telefones celulares. Foram 12 premiados em quatro categorias, incluindo a feminina, militar e s√™nior para trabalhadores com mais de 40 anos de idade. A programa√ß√£o foi organizada pelo Cons√≥rcio Construtor Belo Monte (CCBM). No nosso perfil do Facebook, confira o √°lbum completo da comemora√ß√£o do Dia do Trabalhador! Abaixo, no p√≥dio, a turma que suou bastante pela conquista (cr√©dito da foto: Norte Energia)
  • ‚ÄúEu era vendedora de cosm√©ticos, n√£o tinha uma renda fixa. Em 2012, fiz o curso de operadora de escavadeira hidr√°ulica no Capacitar, mas cheguei a pensar que n√£o seria chamada. O convite para trabalhar no CCBM chegou, e fiquei muito feliz. Agora, posso oferecer uma vida melhor e novas oportunidades √†s minhas duas filhas. Estou h√° nove meses na obra, e trabalhar em Belo Monte tem sido um desafio. Como mulher, sinto que a cobran√ßa √© muito grande, mas com dedica√ß√£o e jeitinho a gente conquista os nossos sonhos. Quando eu era vendedora, tinha apenas uma bicicleta e n√£o conseguia quitar a minha casa. Hoje, tenho uma moto, quitei a minha casa e, no fim do ano, pretendo comprar um carro. Abracei a oportunidade e s√≥ penso em melhorar ainda mais daqui para a frente‚ÄĚ.
  • ‚ÄúCasado e com duas filhas, estou h√° 19 meses no CCBM. At√© ent√£o, trabalhava em fazendas, como vaqueiro. Com a chegada de Belo Monte √† regi√£o, percebi que teria uma possibilidade para melhorar de vida. Mesmo sem muito estudo, corri atr√°s e tirei a carteira de habilita√ß√£o na ra√ßa. Procurei o programa Capacitar e fiz o curso de operador de trator de l√Ęmina. Hoje, sinto orgulho por ter uma profiss√£o. Antes, eu ganhava R$ 700 por m√™s. Agora, chego a receber R$2.500. Quando pequeno, n√£o tive oportunidade de estudar, mas agora tenho condi√ß√Ķes de oferecer educa√ß√£o √† minha fam√≠lia. Belo Monte est√° mudando a minha vida‚ÄĚ.
  • ‚ÄúComecei nessa profiss√£o em 1999, na Hidrel√©trica de Tucuru√≠, e a vida de um armador n√£o √© nada f√°cil. Estou trabalhando em Belo Monte h√° cinco meses, tendo sido contratado por interm√©dio do Sine (Sistema Nacional de Emprego). Logo ap√≥s ser entrevistado por um funcion√°rio do CCBM, recebi a boa not√≠cia da contrata√ß√£o. Tenho uma filha para criar, e n√£o poderia deixar passar essa chance. Na minha cidade, as oportunidades de emprego s√£o raras, e por isso preciso muito do trabalho em Belo Monte. Quero realizar o sonho de comprar um carro de som e, futuramente, fazer propaganda com locu√ß√Ķes pelas ruas da minha cidade‚ÄĚ.
  • Nesta data t√£o significativa, o blog re√ļne alguns depoimentos de trabalhadores que fazem parte de uma hist√≥ria grandiosa para o Brasil.   ‚ÄúMeu √ļltimo emprego foi na Hidrel√©trica de Estreito, no Maranh√£o. Em 2014, vou completar nove anos trabalhando em barragens. Por isso, j√° me considero um barrageiro. Estou no CCBM desde 2011, e moro em alojamento. Trabalhar aqui tem sido muito bom. Al√©m do sal√°rio, sei que essa oportunidade em Belo Monte vai melhorar o meu curr√≠culo. Quando terminar minha jornada por aqui, espero seguir para outras grandes obras, at√© me aposentar‚ÄĚ.  











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