Seu Babá, como é conhecido Sebastião Almeida da Silva, herdou seu lote quando da morte de seu pai. Mas ficou anos apenas com a mandioca e o milho, cortando uma madeira aqui, outra ali... Agora, aposta tudo no cacau e no trabalho em suas terras. [caption id="attachment_3831" align="aligncenter" width="400"] O cacau é motivo de orgulho para Seu Babá. (Crédito: Norte Energia)[/caption] Do alto de seus 60 anos vividos sempre ali, ao redor da Ilha da Fazenda, mantendo muita vitalidade, seu Babá lembra que conheceu o garimpo aos oito anos de idade. Na época era o garimpo e no verão, seringueiras. Fiquei uns quinze anos assim. Mexi com pesca sempre, também. O que mais mudou daquela época para cá? Mudou assim: o que era difícil ficou mais fácil, mas o que era fácil ficou difícil (risos)... Hoje, a gente vê a diferença assim: antes havia a facilidade dos serviços, né? Tinha gente, garimpo, dinheiro... Sempre precisava de serviços. Hoje qualquer pobre compra motor pro barco, moto. E isso era difícil. Os primeiros motores que a gente usava eram fracos, caíam do barco. Eu lembro de quase me afogar tentando salvar o motor do meu pai (ele ri de novo). Tem outras possibilidades de se viver, mas falta aquele mundo de gente, dinheiro... A falta de gente, movimento e agitação parecem dar rumos para sua vida. Seu Babá é comerciante, também, possui um pequeno bar e armazém perto de sua casa. Além disso, mantinha o time de futebol da região, o Brasa FC. Todos ali se lembram, jogaram ou torceram pela equipe. Ele diz que quer retomar o Brasa, fazer a molecada jogar bola, diz que vai conseguir. A vida de seu Babá é Volta Grande, o seu anseio é a cidade. Ele conta como era ir a Altamira em outros tempos. Ia remando, de um a dois dias no rio. Mas ia. Essa “vontade urbana” nunca foi suficiente para arrancar sua vida de lá, mas o diferencia dos demais. Seu Babá é vaidoso. Já havia nos mostrado uma pequena parte de seu cacau secando, em frente a sua casa. Queria que Marcela visse sua dedicação, seu trabalho. Agora, após a pequena viagem de barco, quer que todos subam um íngreme barranco para ver suas lavouras. Mas todos estão cansados, e um coqueiro carregado promete um alívio para o calor e o suor que escorre pelos rostos. Marcela e seu Babá vão subindo, ficamos para trás, quebrando cocos. Aguardamos o relato de Marcela - que precisa ser colorido, seu Babá quer elogios. Além do cacau, que vai muito bem, ele vem se aprimorando para ter banana, milho, mandioca, coco e cajá, além de mudas de mogno, às quais também se dedica. Perguntamos sobre seus medos e esperanças. Com certeza, meu futuro, minha renda, tá no cacau, afirma. Dos medos, o discurso geral: como ficarão os peixes, se a barragem é segura, se essa assessoria técnica vai continuar... Mas seu maior medo é se não houver mais gente por aqui, se o dinheiro não circular? Para seu Babá, não basta se estabelecer, há que se integrar, se comunicar, conviver.
Beiradeiros da Volta Grande: o homem gregário
Especiais
Postado em 15.07.2014

Seu Babá, como é conhecido Sebastião Almeida da Silva, herdou seu lote quando da morte de seu pai. Mas ficou anos apenas com a mandioca e o milho, cortando uma madeira aqui, outra ali… Agora, aposta tudo no cacau e no trabalho em suas terras.

O cacau é motivo de orgulho para Seu Babá

O cacau é motivo de orgulho para Seu Babá. (Crédito: Norte Energia)

Do alto de seus 60 anos vividos sempre ali, ao redor da Ilha da Fazenda, mantendo muita vitalidade, seu Babá lembra que conheceu o garimpo aos oito anos de idade. Na época era o garimpo e no verão, seringueiras. Fiquei uns quinze anos assim. Mexi com pesca sempre, também.

O que mais mudou daquela época para cá?
Mudou assim: o que era difícil ficou mais fácil, mas o que era fácil ficou difícil (risos)… Hoje, a gente vê a diferença assim: antes havia a facilidade dos serviços, né? Tinha gente, garimpo, dinheiro… Sempre precisava de serviços. Hoje qualquer pobre compra motor pro barco, moto. E isso era difícil. Os primeiros motores que a gente usava eram fracos, caíam do barco. Eu lembro de quase me afogar tentando salvar o motor do meu pai (ele ri de novo). Tem outras possibilidades de se viver, mas falta aquele mundo de gente, dinheiro…

A falta de gente, movimento e agitação parecem dar rumos para sua vida. Seu Babá é comerciante, também, possui um pequeno bar e armazém perto de sua casa. Além disso, mantinha o time de futebol da região, o Brasa FC. Todos ali se lembram, jogaram ou torceram pela equipe. Ele diz que quer retomar o Brasa, fazer a molecada jogar bola, diz que vai conseguir.

A vida de seu Babá é Volta Grande, o seu anseio é a cidade. Ele conta como era ir a Altamira em outros tempos. Ia remando, de um a dois dias no rio. Mas ia. Essa “vontade urbana” nunca foi suficiente para arrancar sua vida de lá, mas o diferencia dos demais.

Seu Babá é vaidoso. Já havia nos mostrado uma pequena parte de seu cacau secando, em frente a sua casa. Queria que Marcela visse sua dedicação, seu trabalho. Agora, após a pequena viagem de barco, quer que todos subam um íngreme barranco para ver suas lavouras. Mas todos estão cansados, e um coqueiro carregado promete um alívio para o calor e o suor que escorre pelos rostos. Marcela e seu Babá vão subindo, ficamos para trás, quebrando cocos. Aguardamos o relato de Marcela – que precisa ser colorido, seu Babá quer elogios. Além do cacau, que vai muito bem, ele vem se aprimorando para ter banana, milho, mandioca, coco e cajá, além de mudas de mogno, às quais também se dedica.

Perguntamos sobre seus medos e esperanças. Com certeza, meu futuro, minha renda, tá no cacau, afirma. Dos medos, o discurso geral: como ficarão os peixes, se a barragem é segura, se essa assessoria técnica vai continuar… Mas seu maior medo é se não houver mais gente por aqui, se o dinheiro não circular? Para seu Babá, não basta se estabelecer, há que se integrar, se comunicar, conviver.

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  • Uma atividade diferente marcou o início dos turnos de trabalho nesta terça-feira (22/7) nos canteiros de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte. Os primeiros 30 minutos foram dedicados à 1ª Parada de Segurança, atividade que reuniu todas as empresas prestadoras de serviços nas áreas de montagem, civil, consultoria, engenharia, supressão vegetal e resgate de fauna e flora. Palestras foram feitas por gestores, que abordaram o tema “Reflexão sobre segurança do trabalho: O que eu posso fazer para evitar acidentes”. O coordenador de Segurança do Trabalho da Norte Energia, Myron Tramontini, explicou que a atividade desta terça-feira está associada à retomada plena dos trabalhos proporcionada pelo fim do período de chuvas. “A importância de tirar esse tempo para pensar sobre segurança reside justamente em tornar o nosso ambiente de trabalho mais seguro, e os colaboradores desenvolverem a percepção dos riscos no seu local de trabalho.          
  • O padeiro João Lisboa, o “Cararu”, como é conhecido na Ilha da Fazenda, é testemunha das mudanças ao longo do tempo nesta pequena comunidade do município de Senador José Porfírio. Casado com Esmeralda Lisboa há mais 50 anos, o padeiro acentua as rugas no rosto, pensativo, ao revelar a idade: “não sei bem, devo ter uns 82. Mas 71 anos, com certeza, morando aqui nessa terra”.Neste tempo, houve muitas mudanças. Mas uma se tornou especial para seu “Cararu” e os moradores da Ilha da Fazenda. Na última terça-feira (15/7), a Norte Energia entregou o sistema que garante oferta de água potável para a comunidade. A obra é parte do Projeto Básico Ambiental (PBA) da Usina Hidrelétrica Belo Monte, que está sendo construída pela Empresa no rio Xingu. “Primeiro tinha que andar até o rio pra pegar o bocadinho de água que se conseguisse trazer. Anos depois alguns poços foram feitos, mas quando chovia era um Deus nos acuda: a água ficava barrenta, não dava pra beber”, lembra seu “Cararu”. A mudança entusiasma jovens e adultos. André Pablo, de 11 anos, está feliz porque, agora, tem água em casa. “É só abrir a torneira”, comemora.E outras novidades já estão a caminho. Seu “Cararu” anuncia, com alegria, a providência tomada por dona Esmeralda, que define como mais valiosa que a pedra preciosa: “agora, lá em casa, a mulher trouxe até uma máquina de lavar roupa. Acabou a lavagem no rio!” Veja também: Comunidade em Senador José Porfírio recebe rede de água potável
  • A Isolux recebeu licença prévia do Ibama para a construção da LT 500 kV Tucuruí II - Itacaiúnas - Colinas, a ser instalada entre os estados do Pará e Tocantins. A linha reforçará o Sistema Norte, necessário para o escoamento da energia gerada pela UHE Belo Monte (11.233 MW). A autorização foi emitida nesta quarta-feira (16/7), após solicitação realizada em fevereiro. Composta por dois trechos, a linha terá 563 km totais e atravessará 19 municípios. A LT 500 kV Tucuruí II - Itacaiúnas será constituída por um circuito simples, com extensão de 272 km. A linha cortará sete municípios no Pará. Já a LT 500 kV Itacaiúnas - Colinas (C2) terá extensão de 291 km, passando por quatro municípios no Pará e nove no Tocantins. As instalações deverão entrar em operação comercial em 2016. O empreendimento prevê, ainda, a expansão das três subestações correspondentes - SE Tucuruí, SE Colinas e SE Itacaiúnas -, já construídas. Os projetos foram arrematados no leilão 01/2013, realizado em maio daquele ano. A Isolux, única ofertante do lote, ofereceu RAP de R$ 52,75 milhões, deságio de 15,10% em relação ao valor máximo proposto para os empreendimentos, de R$ 62,134 milhões. A usina de Belo Monte deverá iniciar a operação comercial da primeira turbina em 2015. A última das 18 unidades começará a gerar a energia em 2019, segundo relatório de fiscalização da Aneel. Leia a notícia aqui.











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