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Meio Ambiente
É tempo de Natal no Jatobá
Meio Ambiente
Postado em 11.12.2014

A “Árvore de Natal Ecológica” confeccionada pelos moradores com mais de duas mil garrafas pets deixou o novo bairro Jatobá mais bonito e em clima de Natal. A decoração é resultado das oficinas de construção das peças natalinas sustentáveis, realizada pelo Núcleo de Educação Ambiental do Xingu (Nucleax), criado pelo Projeto Básico Ambiental da UHE Belo Monte. “Achei muito bonito e, mesmo meio adoentada, eu vim aqui ajudar todos os dias. Sou mobilizadora e estou muito feliz em poder dizer que ajudei a fazer essa obra de arte”, disse a moradora Joana Gomes, 50 anos.

No bairro a decoração sustentável  (foto: Norte Energia)

No bairro, a decoração sustentável (foto: Norte Energia)

Maria Amélia, 60 anos, também estava orgulhosa. “Fazer trabalhos manuais, de arte, me deixa muito contente. É claro que estou muito feliz com o resultado, ficou lindo”. As mulheres do bairro dedicaram mais de dois meses de um trabalho paciente para coletar as garrafas em casas e estabelecimentos comerciais, e aprender as técnicas para reaproveitá-las até que dessem forma não apenas à árvore, mas tambémàs flores, velas e bolas natalinas de tamanho gigante. Para incentivar a coleta de material, cada dez pets doadas valia um cupom para participar do sorteio de cestas natalinas.

A professora da oficina, a artesã Marilene da Costa, contou sobre a satisfação de repassar parte de seu conhecimento: “Faço arte com materiais como sementes e papelão. Fico muito feliz de ver a felicidade delas e a surpresa dos moradores depois que tudo está pronto. Exige esforço, mas é uma recompensa grande depois que se conclui e as pessoas aprendem e percebem que podem fazer coisas bonitas com materiais que, normalmente, iriam para o lixo”.

  • Um abraço emocionado de pai e filho fundiu passado e presente em Belo Monte. De um lado, o maranhense Graciano Paz Pinho, 76 anos, que trabalhou nos estudos de viabilidade técnica do empreendimento na década de 1970. De outro, Henrique Silva Pinho, 27 anos, motorista de caminhão no canteiro de obras dos diques do reservatório intermediário da Usina.Henrique não escondeu o orgulho quando viu Graciano se aproximando. Aos colegas de trabalho, anunciava: “É meu pai”. Os dois se abraçaram, choraram e tocaram a caçamba como que para se certificar de que o encontro era real. Não passava pela cabeça de Graciano encontrar o filho quando embarcou no ônibus do Projeto Conheça Belo Monte. Ele e um grupo de associados da Associação dos Idosos de Brasil Novo acordaram cedo naquela quarta-feira (15/10) para conhecer a maior obra de infraestrutura em andamento no País. No caminho entre Altamira e o sítio Belo Monte, Graciano comentou que um filho trabalhava na obra. Uma corrente se formou para tornar o encontro realidade. Antes, era preciso localizar Henrique em um universo de mais de 20 mil trabalhadores. E o encontro ocorreu na mesma região onde, há cerca de 30 anos, Graciano trabalhou nas primeiras sondagens do projeto. “Passávamos muito tempo dentro do mato, verificando as condições do terreno, furando o chão para tentar encontrar a rocha”, recordou. Há seis meses, Graciano aconselhou Henrique, que morava em Marabá, a buscar trabalho em Belo Monte. Ele seguiu o conselho e, há cinco meses, trabalha como motorista no canteiro de obras dos diques. “Sinto muito orgulho em ver meu filho dando continuidade ao trabalho que eu iniciei há anos”, confessou o emocionado Graciano. Na hora da despedida, o filho fez questão de demonstrar todo o seu carinho pelo pai. “Ele é meu grande incentivador, o homem que passava os dias me contando histórias sobre a usina. Hoje tenho a oportunidade continuar o sonho dele”. E o pai não escondeu o orgulho de ver o filho dando continuidade a um projeto que está definitivamente associado a sua vida. “Pensei que não veria essa obra em pé e, hoje, estou aqui contemplando a construção. Isso aqui pra mim é um sonho”, disse Graciano. Um sonho que virou realidade e levará energia elétrica para 60 milhões de brasileiros.
  • A altamirense Helena Viviane Pinheiro da Paixão, 26 anos, apesar de muito jovem, já é considerada uma pioneira. Foi uma das primeiras contratadas para trabalhar na Usina Hidrelétrica Belo Monte. Lá se vão três anos e três meses. Hoje, ela olha o avanço das obras e não tem como não comparar com o progresso na sua carreira. Formada e pós-graduada em Biologia no campus de Altamira da Universidade Federal do Pará (UFPA), Helena começou como auxiliar administrativa, mas recentemente foi promovida à função para qual se qualificou. “Batalhei muito pra chegar até aqui e creio que coisas melhores virão. Estou muito contente”, garante. Helena gosta de relembrar o momento em que entrou pela primeira vez no canteiro: “Quando olho para a obra, sinto uma emoção muito forte de ver como as coisas estão tomando forma. Não tenho palavras para expressar a gratidão de fazer parte dessa história”, afirma. A rotina da jovem bióloga inclui inspeções ambientais na obra e a coordenação de um programa de educação ambiental que busca sensibilizar os trabalhadores sobre o tema, dentro e fora dos canteiros. Conhecida entre os colegas pela empolgação com o trabalho, Helena enumera suas conquistas e faz novos planos: “Comprei meu carro. Agora quero comprar uma casa nova e, quem sabe, casar e ter minha própria família”.
  • Há mais de dois anos, Adão Lima de Sousa, 22 anos, saiu de sua terra natal, o município de Placas, na Transamazônica paraense, com dois objetivos: trabalhar na Usina Hidrelétrica Belo Monte e melhorar de vida. No bolso, apenas R$ 150,00 e na sacola, uma rede e uma única muda de roupa. Para trás, deixou a família e o trabalho em uma serraria. “A vida não estava fácil, o que eu ganhava dava apenas para comprar comida.”Obrigado a deixar sua terra pela falta de oportunidades, seguiu pela Transamazônica rumo a Altamira. Logo que chegou conseguiu trabalho como ajudante de produção no Sítio Pimental, onde está sendo erguida a Casa de Força Complementar de Belo Monte. No canteiro de obras, Adão conheceu pessoas que o incentivaram a estudar. Seguiu os conselhos e tornou-se operador de retroescavadeira. Mas o ex-funcionário de serraria não se acomodou. Recentemente, passou em um novo curso, para operar uma máquina pesada de maior porte, a escavadeira.Em Belo Monte, as vitórias de Adão não se resumem à realização profissional. “O empreendimento mudou a minha vida e graças às oportunidades obtidas aqui eu pude construir uma casa para os meus pais e, recentemente, paguei o tratamento de saúde da minha mãe.” Ele encontrou mais do que trabalho e estabilidade financeira em Belo Monte. Ele também encontrou a baiana Nilceia Santos, 20 anos, que trabalha no controle de ponto dos operários de Pimental. Os dois se casaram em agosto deste ano.Tantas mudanças enchem Adão de orgulho e renovam sua esperança em um futuro ainda melhor. Neste futuro, haverá sempre um espaço reservado ao empreendimento que o acolheu quando chegou a Altamira em busca de uma vida melhor. “Hoje, posso bater no peito e dizer que eu ajudei a construir Belo Monte.”
  • O ambiente onde se delineia o Canal de Derivação de 20 quilômetros que vai ligar os reservatórios da Usina Hidrelétrica Belo Monte é seco e pedregoso. Ao longe, surge um ponto amarelo, levantando poeira. É um dos imensos caminhões fora de estrada usados nas escavações: máquina robusta e potente, 82,1 toneladas, 8,3 metros de altura, nove metros de comprimento, com capacidade para carregar cerca de 50 toneladas de terra e rocha. No volante está a ex-maquiadora Eliene Riquel de Souza, cabelos longos, olhos verdes, 36 anos.  Eliene desce do veículo sorrindo. Há um ano trocou base, batom, blush, sombra e rímel para ingressar em um universo que forjava desde a sua infância, em Tucuruí, onde também há uma grande hidrelétrica. “Quando criança, eu ficava encantada vendo esses caminhões passando e sempre comentava com meus amigos que um dia eu iria dirigir um.” Como profecia, as palavras da operária se cumpriram, não na terra natal, mas na região do Xingu, em Belo Monte, a maior hidrelétrica 100% brasileira.Já na expectativa pelas obras da Usina, Eliene se mudou há 15 anos para Altamira.  Enquanto o projeto amadurecia, trabalhou como vendedora de cosméticos e gerente em uma empresa de decoração de interiores. Nesse tempo aprendeu como deixar as mulheres mais bonitas. E assim foi até o dia que ficou sabendo da vaga para operadora do caminhão fora de estrada em Belo Monte. “Não resisti: fiz minha inscrição no mesmo dia.”Única mulher a operar um fora de estrada no sítio Canais, Eliene se diz imensamente grata pela oportunidade de realizar um sonho. De macacão e capacete, como seus colegas, sorri, orgulhosa por comandar o potente equipamento.“Amo o que faço, amo a empresa que trabalho e amo meu caminhão”, diz a ex-maquiadora, já se despedindo. É hora de voltar ao trabalho. Porque Belo Monte não pode parar.
  •  Capacete, óculos escuros e uniforme não tiram a feminilidade de Sebastiana de Jesus dos Santos Vieira, 36 anos. Paraense de Abaetetuba, ela reforça o contingente de trabalhadores do Sítio Pimental, onde está sendo erguida a Casa de Força Complementar da Usina Hidrelétrica Belo Monte.Sebastiana chegou às obras da Usina há um ano e sete meses. Deixou para trás um emprego em Parauapebas (PA), disposta a encarar o desafio de trabalhar no maior empreendimento de infraestrutura em construção no Brasil. A aposta não poderia ter sido melhor.“No início foi difícil me adaptar à vida no canteiro de obras, mas fui conhecendo pessoas que acreditaram no meu trabalho e me incentivaram a crescer”, conta. Hoje, Sebastiana é líder de Solda em Formação. Ela chefia uma equipe formada por cinco homens e enfrenta com alegria e determinação os desafios de ser mulher num universo masculino.O sorriso aberto, embora tímido, não esconde a satisfação de ter tido a vida transformada depois de mudar do Sul do Pará para a região do Xingu. “Aqui muitas portas já se abriram para mim. São muitas oportunidades de aprender e continuar sonhando em dar um futuro melhor para os meus dois filhos e minha mãe, que moram comigo.”











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