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Desenvolvimento Social
Uma vida com mais tempero
Desenvolvimento Social
Postado em 24.02.2015

Uma √°rea protegida de 240 metros quadrados destaca-se na propriedade de 56 hectares em Altamira, onde o agricultor Merenilton Gomes da Silva, 29 anos, vive desde 2012. Ele n√£o esconde o orgulho quando mostra o local ocupado, ‚Äúpor enquanto‚ÄĚ, por canteiros de alface, cebolinha e coentro.

Merenilton e a família  comemoram a fartura da horta (Betto Silva/ Norte Energia)

Merenilton e a família comemoram a fartura da horta (Betto Silva/ Norte Energia)

‚ÄúNunca pensei em lidar com horta. Estou aprendendo‚ÄĚ, conta o agricultor, que chegou em 2012 ao Travess√£o Gorgulho da Rita, na regi√£o do Assurini, em Altamira, ap√≥s ser beneficiado pelo projeto de realoca√ß√£o assistida (carta de cr√©dito) da Norte Energia. O projeto √© uma condicionante prevista no Projeto B√°sico Ambiental (PBA) da Usina Hidrel√©trica Belo Monte.

A área que Merenilton, ao lado da esposa Digivane e da filha Ana Laura, mostra é parte da Unidade Demonstrativa dos projetos de Apoio à Pequena Produção e Agricultura Familiar e de Fomento à Produção de Hortigranjeiros desenvolvidos pela Norte Energia. Implantada em dezembro do ano passado, já gera renda.

No início de fevereiro, ele enviou para Altamira a primeira colheita de alface e cebolinha, comercializada na Feira do Produtor. E já se prepara para enviar a segundo leva de verduras para o comércio local.

A Unidade Demonstrativa representa uma mudan√ßa radical na vida da fam√≠lia de Merenilton. O pai, seu Heleno, 61 anos, lembra que, na localidade de onde se mudaram –S√£o Pedro, na Volta Grande do Xingu, em Vit√≥ria do Xingu–, a prioridade era produzir para a subsist√™ncia. ‚ÄúQuando sobrava um pouco, vendia‚ÄĚ, recorda, referindo-se √† produ√ß√£o de farinha de mandioca e de gado.

Com apoio de t√©cnicos da Assessoria T√©cnica, Social e Ambiental (ATES) da Norte Energia e da Emater-PA, Merenilton quer transformar esta situa√ß√£o em passado. Est√° t√£o empolgado que j√° faz planos para dobrar a √°rea protegida com pl√°stico e diversificar a produ√ß√£o. Quer plantar tomate e morango. ‚ÄúTem procura‚ÄĚ, explica.

Num futuro próximo, a renda da família não virá apenas da área destinada à horta. Em breve, a produção de hortaliças será integrada à de aves. O galinheiro já está pronto e abriga 40 frangos. O projeto também contará com uma área de frutíferas, que irá fortalecer a diversificação da produção e ampliar as fontes de geração de renda. Tudo em uma área de um hectare.

Quando chegou ao Travessão Gorgulho da Rita,  Merenilton investiu em uma lavoura com quatro mil pés de cacau. Também plantou uma roça de milho, que serve para a alimentação da família e, agora, também passará a ser usada para a produção de ração para as aves de corte. E ele quer mais. Quer desenvolver uma produção de peixe em tanque escavado.

A estrutura√ß√£o da Unidade Demonstrativa embala os planos de Merenilton. O produtor de cacau busca mais qualidade de vida com a diversifica√ß√£o da produ√ß√£o. E, al√©m da renda que chegou com a comercializa√ß√£o da primeira venda de hortali√ßas, ele j√° contabiliza outra conquista. ‚ÄúA alimenta√ß√£o em casa melhorou‚ÄĚ, conta.

  • A Hidrel√©trica Belo Monte, que j√° tem 70% das obras civis conclu√≠das, vive agora a chegada das monumentais pe√ßas das turbinas √† regi√£o do Xingu. A mais recente delas, um rotor de 320 toneladas, viajou 5.269 quil√īmetros, de Taubat√© (SP) a Vit√≥ria do Xingu (PA). Ao chegar, pelas √°guas do Xingu, √† Esta√ß√£o de Transbordo de Carga do S√≠tio Belo Monte, ela precisou ser retirada da balsa e colocada em uma carreta de 256 pneus. Foi a√≠ que entrou um personagem essencial nessa opera√ß√£o de transporte: o operador de ponte e de p√≥rtico rolante Junivaldo Ferreira, 38 anos. √Č ele que i√ßa as pe√ßas da balsa e as coloca em carretas.¬† O transporte da pe√ßa at√© o p√°tio de estocagem em Belo Monte ‚Äď trecho de apenas seis quil√īmetros - dura meia hora. Somente por este dado d√° para se ter uma ideia de o quanto essa opera√ß√£o √© cr√≠tica . Ela s√≥ pode ser executada por profissionais treinados e credenciados. Tudo √© cuidadosamente estudado: relaciona-se o peso da pe√ßa ao trajeto a ser realizado e aos recursos dispon√≠veis para a amarra√ß√£o. ‚ÄúN√£o tenho d√ļvida de que a minha responsabilidade √© grande", reconhece Junivaldo. "Afinal, s√£o pe√ßas valiosas para o funcionamento da usina.‚ÄĚ O rotor √© a pe√ßa mais importante da turbina, o n√ļcleo gerador de energia em uma hidrel√©trica. Torneada em uma √ļnica pe√ßa de a√ßo inoxid√°vel, com peso final de 320 toneladas, o rotor mede oito metros e meio de di√Ęmetro por cinco metros de altura. Suas p√°s recebem as √°guas do rio em fort√≠ssimo deslocamento gerado pela queda d'√°gua canalizada. Impulsionadas pela massa de milhares de toneladas de √°gua em queda, elas giram. Nesse giro, a energia mec√Ęnica √© transformada em energia cin√©tica, e esta, em energia el√©trica. Nascido em Santar√©m, e h√° 20 anos trabalhando como operador de ponte rolante e p√≥rtico, Junivaldo foi convidado para trabalhar em sua primeira usina hidrel√©trica por meio de um amigo. ‚ÄúEu estava atr√°s de novos desafios e queria testar meus conhecimentos dentro de uma obra de usina.‚ÄĚ No canteiro de obras de Belo Monte, Junivaldo opera quatro equipamentos: duas pontes rolantes de 400 toneladas e uma terceira de 800, al√©m de um p√≥rtico de 40 toneladas. ‚ÄúDaqui a um tempo, poderei dizer que eu icei o rotor de 320 toneladas e os eixos da primeira, segunda e terceira turbinas. Eu vim pra c√° para ir embora apenas quando a obra terminar‚ÄĚ, afirma. Para Junivaldo, ajudar a construir Belo Monte ficar√° para sempre em sua hist√≥ria. ‚ÄúUm dia, eu poderei contar para os meus filhos e netos que trabalhei na constru√ß√£o da terceira maior hidrel√©trica do mundo e contribu√≠ para o desenvolvimento do meu pa√≠s.‚ÄĚ Ele tem raz√£o: quando estiver em plena opera√ß√£o, em 2019, Belo Monte ir√° beneficiar nada menos do que 60 milh√Ķes de brasileiros.
  • Transportar uma pe√ßa de 320 toneladas j√° √© uma aventura por si s√≥. Agora imagine transportar uma pe√ßa desta dimens√£o de S√£o Paulo ao cora√ß√£o da Amaz√īnia. √Č este o desafio log√≠stico que ser√° cumprido em cerca de tr√™s meses quando a roda da turbina da primeira unidade geradora da Casa de For√ßa Principal da Usina Hidrel√©trica Belo Monte chegar √† Vit√≥ria do Xingu, no Par√°.

    A pe√ßa saiu no dia 25 de novembro da cidade de Taubat√© (SP), em um caminh√£o especial, de 32 eixos e 256 pneus, e vai percorrer 5.269 quil√īmetros at√© chegar ao destino final. Veja a rota do equipamento no infogr√°fico abaixo.

  • Um abra√ßo emocionado de pai e filho fundiu passado e presente em Belo Monte. De um lado, o maranhense Graciano Paz Pinho, 76 anos, que trabalhou nos estudos de viabilidade t√©cnica do empreendimento na d√©cada de 1970. De outro, Henrique Silva Pinho, 27 anos, motorista de caminh√£o no canteiro de obras dos diques do reservat√≥rio intermedi√°rio da Usina.Henrique n√£o escondeu o orgulho quando viu Graciano se aproximando. Aos colegas de trabalho, anunciava: ‚Äú√Č meu pai‚ÄĚ. Os dois se abra√ßaram, choraram e tocaram a ca√ßamba como que para se certificar de que o encontro era real. N√£o passava pela cabe√ßa de Graciano encontrar o filho quando embarcou no √īnibus do Projeto Conhe√ßa Belo Monte. Ele e um grupo de associados da Associa√ß√£o dos Idosos de Brasil Novo acordaram cedo naquela quarta-feira (15/10) para conhecer a maior obra de infraestrutura em andamento no Pa√≠s. No caminho entre Altamira e o s√≠tio Belo Monte, Graciano comentou que um filho trabalhava na obra. Uma corrente se formou para tornar o encontro realidade. Antes, era preciso localizar Henrique em um universo de mais de 20 mil trabalhadores. E o encontro ocorreu na mesma regi√£o onde, h√° cerca de 30 anos, Graciano trabalhou nas primeiras sondagens do projeto. ‚ÄúPass√°vamos muito tempo dentro do mato, verificando as condi√ß√Ķes do terreno, furando o ch√£o para tentar encontrar a rocha‚ÄĚ, recordou. H√° seis meses, Graciano aconselhou Henrique, que morava em Marab√°, a buscar trabalho em Belo Monte. Ele seguiu o conselho e, h√° cinco meses, trabalha como motorista no canteiro de obras dos diques. ‚ÄúSinto muito orgulho em ver meu filho dando continuidade ao trabalho que eu iniciei h√° anos‚ÄĚ, confessou o emocionado Graciano. Na hora da despedida, o filho fez quest√£o de demonstrar todo o seu carinho pelo pai. ‚ÄúEle √© meu grande incentivador, o homem que passava os dias me contando hist√≥rias sobre a usina. Hoje tenho a oportunidade continuar o sonho dele‚ÄĚ. E o pai n√£o escondeu o orgulho de ver o filho dando continuidade a um projeto que est√° definitivamente associado a sua vida. ‚ÄúPensei que n√£o veria essa obra em p√© e, hoje, estou aqui contemplando a constru√ß√£o. Isso aqui pra mim √© um sonho‚ÄĚ, disse Graciano. Um sonho que virou realidade e levar√° energia el√©trica para 60 milh√Ķes de brasileiros.
  • A altamirense Helena Viviane Pinheiro da Paix√£o, 26 anos, apesar de muito jovem, j√° √© considerada uma pioneira. Foi uma das primeiras contratadas para trabalhar na Usina Hidrel√©trica Belo Monte. L√° se v√£o tr√™s anos e tr√™s meses. Hoje, ela olha o avan√ßo das obras e n√£o tem como n√£o comparar com o progresso na sua carreira. Formada e p√≥s-graduada em Biologia no campus de Altamira da Universidade Federal do Par√° (UFPA), Helena come√ßou como auxiliar administrativa, mas recentemente foi promovida √† fun√ß√£o para qual se qualificou. ‚ÄúBatalhei muito pra chegar at√© aqui e creio que coisas melhores vir√£o. Estou muito contente‚ÄĚ, garante. Helena gosta de relembrar o momento em que entrou pela primeira vez no canteiro: ‚ÄúQuando olho para a obra, sinto uma emo√ß√£o muito forte de ver como as coisas est√£o tomando forma. N√£o tenho palavras para expressar a gratid√£o de fazer parte dessa hist√≥ria‚ÄĚ, afirma. A rotina da jovem bi√≥loga inclui inspe√ß√Ķes ambientais na obra e a coordena√ß√£o de um programa de educa√ß√£o ambiental que busca sensibilizar os trabalhadores sobre o tema, dentro e fora dos canteiros. Conhecida entre os colegas pela empolga√ß√£o com o trabalho, Helena enumera suas conquistas e faz novos planos: ‚ÄúComprei meu carro. Agora quero comprar uma casa nova e, quem sabe, casar e ter minha pr√≥pria fam√≠lia‚ÄĚ.
  • H√° mais de dois anos, Ad√£o Lima de Sousa, 22 anos, saiu de sua terra natal, o munic√≠pio de Placas, na Transamaz√īnica paraense, com dois objetivos: trabalhar na Usina Hidrel√©trica Belo Monte e melhorar de vida. No bolso, apenas R$ 150,00 e na sacola, uma rede e uma √ļnica muda de roupa. Para tr√°s, deixou a fam√≠lia e o trabalho em uma serraria. ‚ÄúA vida n√£o estava f√°cil, o que eu ganhava dava apenas para comprar comida.‚ÄĚObrigado a deixar sua terra pela falta de oportunidades, seguiu pela Transamaz√īnica rumo a Altamira. Logo que chegou conseguiu trabalho como ajudante de produ√ß√£o no S√≠tio Pimental, onde est√° sendo erguida a Casa de For√ßa Complementar de Belo Monte. No canteiro de obras, Ad√£o conheceu pessoas que o incentivaram a estudar. Seguiu os conselhos e tornou-se operador de retroescavadeira. Mas o ex-funcion√°rio de serraria n√£o se acomodou. Recentemente, passou em um novo curso, para operar uma m√°quina pesada de maior porte, a escavadeira.Em Belo Monte, as vit√≥rias de Ad√£o n√£o se resumem √† realiza√ß√£o profissional. ‚ÄúO empreendimento mudou a minha vida e gra√ßas √†s oportunidades obtidas aqui eu pude construir uma casa para os meus pais e, recentemente, paguei o tratamento de sa√ļde da minha m√£e.‚ÄĚ Ele encontrou mais do que trabalho e estabilidade financeira em Belo Monte. Ele tamb√©m encontrou a baiana Nilceia Santos, 20 anos, que trabalha no controle de ponto dos oper√°rios de Pimental. Os dois se casaram em agosto deste ano.Tantas mudan√ßas enchem Ad√£o de orgulho e renovam sua esperan√ßa em um futuro ainda melhor. Neste futuro, haver√° sempre um espa√ßo reservado ao empreendimento que o acolheu quando chegou a Altamira em busca de uma vida melhor. ‚ÄúHoje, posso bater no peito e dizer que eu ajudei a construir Belo Monte.‚ÄĚ











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