O senso de liberdade dos beiradeiros, bem particular, provoca boa parte da dificuldade que temos em imaginar todas aquelas comunidades vivendo da agricultura. Mas também garante o encantamento que sentimos, repetidas vezes, a cada pessoa que conhecemos. Raimundo Morais da Silva, de 40 anos, é nascido ali. E não possui terras. Ele dirige a voadeira que nos leva de casa em casa, de família em família. Acompanhando-nos a cada visita, ele mostra que conhece todos os moradores daquelas ilhas, e cada canto das águas do rio. Entre as pessoas que ali conhecemos, é Raimundo o que mais roda pelo mundo – vive entre Altamira e as ilhas, conheceu bem Belém, viajou pelo interior do Pará. Seguramente é o que mais conheceu o mundo e, quanto mais o conheceu, mais afirmou seus desejos de vida ali nas ilhas onde nasceu. E traduz com mais facilidade o que olhares e meias palavras evitam dizer entre os beiradeiros. [caption id="attachment_3898" align="aligncenter" width="400"] Raimundo é grande conhecedor da região (Foto: Norte Energia)[/caption] Quando pergunto a cada um dos beiradeiros o que fez durante a vida, como aprenderam a ganhá-la, todos começam a resposta pelos pais. O que aprenderam com o pai, como a mãe contribuía para a renda e o sustento da casa... Raimundo espera um espaço de silêncio e fala rápido, mal olhando para trás enquanto pilota o barco: Eu até hoje não faço negócio com ninguém sem aprovação do pai e da mãe. Todos concordam com um leve movimento de cabeça. Raimundo já foi e ainda é pedreiro, marceneiro, piloto de barcos, guia, já quebrou castanhas, cortou seringas, entende de madeira... Foi segurança de figurões da política do Estado do Pará, passou pelo garimpo, marisco de gato (aqui todo mundo tem espingarda desde menino), entende de pesca... Sobre a pesca, afirma, amansei uma capivara e vendi para comprar a minha primeira rede... Não se aperta por nada, e a cada casa maior por que passamos, ele me conta que participou da construção. Preparou um tucunaré na pequena frigideira com fogareiro que carrega consigo. O arroz, na panelinha, foi feito por sua irmã. E a farinha de mandioca, indispensável, ele carrega em um recipiente. Quando me vê comendo com gosto a cabeça do peixe, atira: você come peixe que nem beiradeiro. Sem graça, afirmo que gosto da cabeça, não sabia que ele comeria, ninguém pegava essa parte... E ele firma que está contente de ver alguém de fora comer assim, nunca alguém que veio visitar o lugar pegou a cabeça antes e a comeu direitinho, sem deixar lascas... Pergunto o que acha dessas mudanças na região. O rio é uma coisa viva, né? Tenho medo de não voltar a ser o que era. Sem a seca pode até ficar bom pra maioria, quem sabe. Mas é tão bonito de se ver as prainhas, não vão ter mais, você precisa voltar aqui em setembro pra ver... Os peixes de água agitada, acho que voltam, mas precisa ver.... Não sei como a piracema vai ficar, não vão ter mais aquelas encostas onde eles desovam... Talvez alguns fiquem mais longe...Eu pergunto se ele tem medo disso, como os outros, de problemas com a pesca futura (que todos manifestaram, mesmo que não vivam mais da pesca há tempos). Ele olha para trás e diz, rindo: eles têm medo que a usina arrebente e a água cubra tudo, cubra eles, e ri bastante. Os outros imediatamente concordam, assustados: nós tamos no meio aqui, não tem pra onde correr, quem vai ajudar a gente se acontecer? E assim, só assim, consigo entender não só o que são os receios do futuro que esses moradores mantêm, mas também  como pensam. Eu rio junto com Raimundo e explico que isso é quase impossível, cito locais onde as pessoas vivem há gerações perto de diques e represas, falo de outros países, explico que um rompimento não se dá de uma hora para outra... Eles parecem mais calmos. Mas Raimundo não teme o futuro não. Quem se habitua a dificuldade e ao sofrimento não se queixa. Mas eu pergunto do sofrimento, qual é. Ele adora a vida que leva, deixa isso claro. Não iria morar de vez nem em Altamira, quanto mais Belém. Gosto do sossego daqui, já tive oportunidades mas não largo isso por nada no mundo. Insisto na questão, onde está a dificuldade, a dor. Ele diz que sozinho não há preocupação, sempre vou me virar. Mas to separado, meus filhos ficam com a mãe em Altamira. Agorinha um ficou bem doente, só em Belém pra tratar. Fiz um acerto com a firma (Norte Energia), conversei com diretores lá, peguei adiantamento e passei uns dias lá, consegui levar ele. Isso é complicado, não ter nada aqui... A insegurança que Raimundo sente é pelos seus, não por si próprio. Eles não acostumam mais aqui, não. A vida fica outra, tão estudando, vão se dar bem na cidade. Pra mim, sempre vai ter coisas pra fazer. O papo suscita outra conversa entre os moradores, falam que devia ter escolas, postos de saúde e hospitais ali perto. Um arrisca, pros índios tão fazendo escolas, lá longe da represa. Raimundo corta de novo, já falei pra vocês, índio é índio, gente é gente, eles têm proteção e ganham as coisas antes, com nós  é mais difícil. Eles calam, consentindo. A cada vez que apressa o barco ou desacelera, olha com boa antecedência a sua frente e já tem o percurso e a velocidade decididos. Pergunto como.  Ele aponta o movimento de um trecho da água, com maior ondulação, e diz que pela agitação já sabe se tem pedra ou árvore por baixo.  Marcela afirma que não pega outro barqueiro, só ele. Que confirma, sei de cada pedacinho do rio de cor, sei por onde posso voar ou tenho de maneirar, nunca sofri acidentes como os outros. De desejos futuros, quero saber, insisto. Raimundo afirma que não leva jeito para ficar preso na terra, não. Acha bom para os outros, mas não quer esse caminho. Como ele disse, sempre haverá algo a fazer. E ele tem orgulho de mostrar suas pegadas, seu trabalho , a cada casa que passa, a cada peixe que pesca, a cada pedaço do rio. Para não dizer que não sonhou com o futuro, aponta minha alpargata. Meu sonho é comprar uma havaiana amarela, original.E se ri toda a vida. Raimundo cativa almas, e sabe disso.
Beiradeiros da Volta Grande: sem a terra, mas semeando pegadas
Especiais, Notícias
Postado em 30.07.2014

O senso de liberdade dos beiradeiros, bem particular, provoca boa parte da dificuldade que temos em imaginar todas aquelas comunidades vivendo da agricultura. Mas também garante o encantamento que sentimos, repetidas vezes, a cada pessoa que conhecemos.

Raimundo Morais da Silva, de 40 anos, é nascido ali. E não possui terras. Ele dirige a voadeira que nos leva de casa em casa, de família em família. Acompanhando-nos a cada visita, ele mostra que conhece todos os moradores daquelas ilhas, e cada canto das águas do rio. Entre as pessoas que ali conhecemos, é Raimundo o que mais roda pelo mundo – vive entre Altamira e as ilhas, conheceu bem Belém, viajou pelo interior do Pará. Seguramente é o que mais conheceu o mundo e, quanto mais o conheceu, mais afirmou seus desejos de vida ali nas ilhas onde nasceu. E traduz com mais facilidade o que olhares e meias palavras evitam dizer entre os beiradeiros.

Raimundo é grande conhecedor da região (Foto: Norte Energia)

Raimundo é grande conhecedor da região (Foto: Norte Energia)

Quando pergunto a cada um dos beiradeiros o que fez durante a vida, como aprenderam a ganhá-la, todos começam a resposta pelos pais. O que aprenderam com o pai, como a mãe contribuía para a renda e o sustento da casa… Raimundo espera um espaço de silêncio e fala rápido, mal olhando para trás enquanto pilota o barco: Eu até hoje não faço negócio com ninguém sem aprovação do pai e da mãe. Todos concordam com um leve movimento de cabeça.

Raimundo já foi e ainda é pedreiro, marceneiro, piloto de barcos, guia, já quebrou castanhas, cortou seringas, entende de madeira… Foi segurança de figurões da política do Estado do Pará, passou pelo garimpo, marisco de gato (aqui todo mundo tem espingarda desde menino), entende de pesca… Sobre a pesca, afirma, amansei uma capivara e vendi para comprar a minha primeira rede… Não se aperta por nada, e a cada casa maior por que passamos, ele me conta que participou da construção.

Preparou um tucunaré na pequena frigideira com fogareiro que carrega consigo. O arroz, na panelinha, foi feito por sua irmã. E a farinha de mandioca, indispensável, ele carrega em um recipiente. Quando me vê comendo com gosto a cabeça do peixe, atira: você come peixe que nem beiradeiro. Sem graça, afirmo que gosto da cabeça, não sabia que ele comeria, ninguém pegava essa parte… E ele firma que está contente de ver alguém de fora comer assim, nunca alguém que veio visitar o lugar pegou a cabeça antes e a comeu direitinho, sem deixar lascas… Pergunto o que acha dessas mudanças na região.

O rio é uma coisa viva, néTenho medo de não voltar a ser o que era. Sem a seca pode até ficar bom pra maioria, quem sabe. Mas é tão bonito de se ver as prainhas, não vão ter mais, você precisa voltar aqui em setembro pra ver… Os peixes de água agitada, acho que voltam, mas precisa ver…. Não sei como a piracema vai ficar, não vão ter mais aquelas encostas onde eles desovam… Talvez alguns fiquem mais longe…Eu pergunto se ele tem medo disso, como os outros, de problemas com a pesca futura (que todos manifestaram, mesmo que não vivam mais da pesca há tempos). Ele olha para trás e diz, rindo: eles têm medo que a usina arrebente e a água cubra tudo, cubra eles, e ri bastante. Os outros imediatamente concordam, assustados: nós tamos no meio aqui, não tem pra onde correr, quem vai ajudar a gente se acontecer? E assim, só assim, consigo entender não só o que são os receios do futuro que esses moradores mantêm, mas também  como pensam. Eu rio junto com Raimundo e explico que isso é quase impossível, cito locais onde as pessoas vivem há gerações perto de diques e represas, falo de outros países, explico que um rompimento não se dá de uma hora para outra… Eles parecem mais calmos.

Mas Raimundo não teme o futuro não. Quem se habitua a dificuldade e ao sofrimento não se queixa. Mas eu pergunto do sofrimento, qual é. Ele adora a vida que leva, deixa isso claro. Não iria morar de vez nem em Altamira, quanto mais Belém. Gosto do sossego daqui, já tive oportunidades mas não largo isso por nada no mundo. Insisto na questão, onde está a dificuldade, a dor. Ele diz que sozinho não há preocupação, sempre vou me virar. Mas to separado, meus filhos ficam com a mãe em Altamira. Agorinha um ficou bem doente, só em Belém pra tratar. Fiz um acerto com a firma (Norte Energia), conversei com diretores lá, peguei adiantamento e passei uns dias lá, consegui levar ele. Isso é complicado, não ter nada aqui… A insegurança que Raimundo sente é pelos seus, não por si próprio. Eles não acostumam mais aqui, não. A vida fica outra, tão estudando, vão se dar bem na cidade. Pra mim, sempre vai ter coisas pra fazer. O papo suscita outra conversa entre os moradores, falam que devia ter escolas, postos de saúde e hospitais ali perto. Um arrisca, pros índios tão fazendo escolas, lá longe da represa. Raimundo corta de novo, já falei pra vocês, índio é índio, gente é gente, eles têm proteção e ganham as coisas antes, com nós  é mais difícil. Eles calam, consentindo.

A cada vez que apressa o barco ou desacelera, olha com boa antecedência a sua frente e já tem o percurso e a velocidade decididos. Pergunto como.  Ele aponta o movimento de um trecho da água, com maior ondulação, e diz que pela agitação já sabe se tem pedra ou árvore por baixo.  Marcela afirma que não pega outro barqueiro, só ele. Que confirma, sei de cada pedacinho do rio de cor, sei por onde posso voar ou tenho de maneirar, nunca sofri acidentes como os outros.

De desejos futuros, quero saber, insisto. Raimundo afirma que não leva jeito para ficar preso na terra, não. Acha bom para os outros, mas não quer esse caminho. Como ele disse, sempre haverá algo a fazer. E ele tem orgulho de mostrar suas pegadas, seu trabalho , a cada casa que passa, a cada peixe que pesca, a cada pedaço do rio. Para não dizer que não sonhou com o futuro, aponta minha alpargata. Meu sonho é comprar uma havaiana amarela, original.E se ri toda a vida. Raimundo cativa almas, e sabe disso.

  • O cronograma da Hidrelétrica Belo Monte é marcado por fatos que simbolizam o avanço das obras. Nesta segunda-feira, a Norte Energia começou a montar as Comportas Segmentos do vertedouro do Sítio Pimental, onde será instalada a Casa de Força Complementar do empreendimento. Ao mesmo tempo, quatro carretas especiais seguiam seu caminho de cerca de 2 mil quilômetros entre Taubaté (SP) e Belém (PA) com os seguimentos da carcaça do estator da primeira unidade geradora do Sítio Belo Monte. E essa carcaça representa um outro marco: o início da montagem da parte elétrica da unidade geradora, onde acontecerá o principio da conversão da energia mecânica em energia elétrica. Assim avança Belo Monte, para gerar energia limpa e renovável aos brasileiros. Leia também: Começa montagem das comportas do vertedouro do Sítio Pimental  
  • O governo do Estado inaugurou nesta quarta-feira (23) o núcleo do Pro Paz Integrado do município de Altamira, região do Xingu. Localizada na Rua Curitiba, bairro Jardim Uirapuru, a nova unidade vai atender mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência, com o objetivo de fortalecer a rede de enfrentamento e de combate a situações de vulnerabilidade social na região. A coordenadora do Pro Paz Integrado da região do Xingu, Marta Reginato, disse que a unidade representa muito mais que um serviço à população. “O valor da assistência integral que será oferecida às mulheres e crianças neste espaço é imensurável. Vamos oferecer uma atenção de qualidade e o melhor acolhimento possível a todos que procurarem o nosso serviço”, frisou. A delegada Simone Edoron, diretora de Atendimento a Grupos Vulneráveis da Polícia Civil, destacou a necessidade da criação de uma unidade do Pro Paz Integrado em Altamira, município que já conta com quase 150 mil habitantes. “Nossa prioridade é o atendimento humanizado e a proteção total às vítimas de violência de qualquer natureza”, afirmou. Para o delegado Gilvandro Furtado, secretário adjunto de Inteligência e Análise Criminal da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), a inauguração do núcleo representa a continuidade e o cumprimento de metas traçadas desde o início de 2011. “Quando se trata de mulheres e crianças vítimas de violência, a prevenção sempre deve vir em primeiro lugar. Por isso, este novo espaço, aberto a todas as comunidades de Altamira, vem contribuir com as diversas ações ostensivas, preventivas e repressivas de combate à criminalidade e em favor da segurança do povo paraense”, disse. Todos os núcleos do Pro Paz Integrado seguem um padrão de infraestrutura que oferece um atendimento mais eficaz e imediato. O espaço tem recepção, banheiros, sala de acolhimento, consultórios médicos e pericial, de enfermagem e psicologia, além das salas da coordenação e equipe técnica, brinquedoteca e sala de multiuso. Há também uma área destinada à polícia, com salas de delegado, investigadores e escrivães; nos casos de flagrante, existe uma sala de custódia, onde ficam os detidos enquanto a polícia faz os primeiros procedimentos policiais. Ampliação – Com o objetivo de garantir o acesso da população de todo o Estado ao serviço, foi iniciado em 2011 um processo de descentralização. Hoje, o Pro Paz Integrado está presente na Região Metropolitana de Belém (na Santa Casa e no Centro de Perícias Científicas Renato Chaves) e nas regiões do Xingu (Altamira), Lago (Tucuruí), Baixo Amazonas (Santarém), Bragantina (Bragança) e Capim (Paragominas). Em breve, novos núcleos serão instalados em Parauapebas e Breves. O Pro Paz Integrado desenvolve as ações por meio de três eixos – atendimento, responsabilização e prevenção –, com caráter institucional e interdisciplinar, por meio de equipes multiprofissionais, que reúnem assistentes sociais, psicólogos, médicos, peritos e equipe policial em um único espaço, com o objetivo de evitar a revitimização das pessoas que buscam o serviço. O serviço social faz o acolhimento, o registro detalhado da situação específica, aconselhamento e encaminhamento para a rede de serviços oferecidos. O setor de psicologia faz atendimento, por meio de agendamento de consultas, acompanhando as pessoas vitimizadas, com o objetivo de fortalecer e resgatar a autoestima. O atendimento médico segue as normas técnicas de atenção às pessoas vitimizadas pela violência definidas pelo Ministério da Saúde. A perícia criminal faz a perícia sexológica, lesão corporal e psiquiatra (quando necessário) para subsidiar o processo legal. A equipe policial registra boletins de ocorrência, requisita perícias, instaura inquéritos e instrui processos para o sistema judiciário. Também solicita abrigamento, nos casos em que as vítimas vivenciam situações de grave ameaça para a sua integridade física. Leia no blog Brasil Novo Notícias. Clique aqui.  Leia também: Norte Energia investiu mais R$ 65 milhões em segurança pública na Região do Xingu. Clique aqui.   
  • "Ao contrário de outros projetos na Amazônia, em que o rio teve que se adequar aos reservatórios, no projeto da Hidrelétrica Belo Monte o reservatório se adequou ao Xingu," afirma, com convicção, o ecólogo e limnólogo José Galizia Tundisi. Um dos principais hidrólogos do País e pesquisador com reconhecimento mundial, Tundisi é bacharel em História Natural, mestre em Oceanografia, doutor em Ciências, fundador do Instituto Internacional de Ecologia. Tundisi, que participou da elaboração do EIA/Rima da UHE Belo Monte, hoje coordena a preparação dos relatórios do Programa de Monitoramento Limnológico e de Qualidade da Água do Xingu, ação do Projeto Básico Ambiental (PBA) do empreendimento. Depois de analisar dados referentes a dois ciclos hidrológicos completos do rio, ele anuncia: "não houve alterações na estrutura e na qualidade da água do Xingu. Não foram observadas mudanças na vida aquática. Também não houve implicações para as espécies de peixe da região". E o futuro? "O projeto de Belo Monte não é formado por um reservatório clássico. O tempo de retenção da água é pequeno, de cinco dias. Quanto mais baixo o tempo, melhor a qualidade da água." E há outros componentes que ajudam a assegurar a qualidade da água hoje e no futuro. “O projeto de engenharia desenvolvido manteve a conectividade dos tributários (rios, igarapés) do Xingu, o que ajuda a manter as vazões à jusante (rio abaixo)." Tundisi destaca outras ações desenvolvidas pela Norte Enegia que contribuem para consolidar este cenário de preservação. As principais são a instalação do sistema de saneamento básico em Altamira e a recomposição das áreas hoje ocupadas por palafitas nos igarapés na cidade, com a transferência de famílias para novos bairros com infraestrutura completa. "Estive em 40 países e não vi situação de ameaça tão grave à saúde pública como a da área dos igarapés em Altamira", afirmou o especialista. O impacto da recuperação dessas áreas e do tratamento das cargas de esgoto foram dimensionados por meio de um processo conhecido como Modelagem Matemática para Qualidade da Água. "A modelagem matemática permite antecipar qual será o comportamento da qualidade da água na região do empreendimento antes dele ser implantado em sua totalidade", explica Gilberto Veronese, superintendente do Meio Físico e Biótico da Norte Energia. O modelo permitiu, por exemplo, calcular quanta vegetação deverá ser removida para garantir a qualidade da água na área dos reservatórios da Hidrelétrica. A Norte Energia monitora a qualidade da água do Xingu desde 2011. "Os monitoramentos vão continuar, no mínimo, até 2024", explica Maria de Lourdes Küller, gerente do Meio Físico da Empresa.
  • Eles são minúsculos, mas materializam um avanço sem precedentes para o conhecimento científico da fauna aquática da região do Xingu. Este é o principal significado do nascimento de 14 Acaris Zebra (Hypancistrus zebra) no laboratório do Centro de Estudos Ambientais (CEA) da Norte Energia, em Vitória do Xingu (PA). “São os primeiros filhotes desta espécie reproduzidos em cativeiro no Brasil em laboratório legalmente autorizado”, explica o gerente do Meio Biótico da Diretoria Socioambiental da Norte Energia, Laurenz Pinder. O nascimento dos bebês Acari Zebra ocorreu dez meses depois de a Norte Energia instalar o Laboratório de Aquicultura e Peixe Ornamental no CEA para desenvolver técnicas de reprodução desta espécie típica da Volta Grande do Xingu. O Acari Zebra é um peixe ameaçado de extinção pela captura predatória motivada por altos preços pagos no mercado de peixes ornamentais. “O sucesso do projeto assegura a conservação do patrimônio genético deste peixe e cria novas possibilidades para a reprodução em cativeiro de outras espécies de Acari”, comemora Laurenz.A reprodução em cativeiro está inserida na segunda etapa do Projeto de Aquicultura de Peixes Ornamentais, desenvolvido pela Norte Energia como parte do Projeto Básico Ambiental (PBA) da Usina Hidrelétrica Belo Monte. A primeira foi direcionada ao desenvolvimento de ambientes adequados para manter o bem-estar os peixes em aquários e a identificação de casais. Agora, o trabalho também será dedicado a acompanhar o desenvolvimento dos filhotes recém-nascidos. Além de minimizar a pressão sobre os estoques destes peixes e contribuir para a preservação da espécie, os estudos realizados no laboratório instalado no CEA contribuem para o desenvolvimento de tecnologias de cultivo acessíveis para os pescadores artesanais. Esta ação tem como objetivo a estruturação de uma cadeia produtiva de peixes ornamentais na região do Xingu, o que também está previsto no Acordo de Cooperação Técnico firmado pela Norte Energia com o Ministério da Pesca e Aquicultura em março deste ano. Um dos projetos do acordo é a instalação em Altamira do Centro Integrado de Pesca Artesanal, com áreas de beneficiamento, fábrica de gelo, mercado e área de aquários onde serão produzidos e comercializados peixes ornamentais. A Norte Energia atua em outras frentes para fortalecer a atividade. Em julho, começou a construir, no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA) de Altamira, um laboratório de aquicultura de peixes ornamentais. Quando concluído, ele vai reunir todos os trabalhos que hoje são realizados no CEA e no Instituto Federal do Pará (IFPA) campus Castanhal. No final de julho, a Empresa também entregou à UFPA o Laboratório de Ictiologia, que abrigará uma coleção de cerca de 30 mil peixes e concentrará o trabalho científico de pesquisadores sobre a fauna aquática da região da Transamazônica.











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